
O comercial da Skol sobre “pagar micos” tem uma cena ideal para ilustrar o assunto deste desabafo em forma de palavras escritas que agora você perde seu tempo lendo. Uma mulher caminha de braços abertos como quem vai abraçar alguém, enquanto um idiota pensa que é com ele (idiota porque ele ficou feliz pensando ser com ele apenas pelo decote dela, mas isso não vem ao caso) quando ela, na verdade, vai em direção à uma amiga.
Isso acontece o tempo inteiro na vida. Às vezes pagamos mico pensando ser conosco o que nada tem a ver conosco. Às vezes seguimos determinada direção pensando ser o caminho das pedras e, depois de gastar muita sola de sapato, admitimos que a estrada era a outra. Aquela que ficou lá trás.
Certa vez ouvi de um cara, que na época era declaradamente apaixonado por mim, a seguinte pergunta: Por que eu não cheguei antes?. Ele perguntava isso devido ao fato de eu ter alguns meses de namoro. Eu até tentei arrumar uma resposta feita daquelas Porque não era pra ser, mas hoje sei exatamente como ele se sentia. E sei também que não há quem possa responder essa pergunta, nem mesmo a sabedoria popular e suas teorias furadas sobre destino e blá blá blá.
Não acredito que exista qualquer literatura melhor que o poema Quadrilha de Drummond para traduzir os desencontros da vida. É fulano que gosta de beltrano que se casa com o cicrano que nem existia na história. E sempre tem um cicrano, ou cicrana, para aparecer na história.
Acho que a vida é mesmo feita de desencontros que, vez por outra, acaba por fazer algum desencontrado encontrar-se com outro. Só sei que ando bem perdida nos caminhos que andei tomando. Me desencontrei de quem gostaria de encontrar, mas acredito que, como nem todo mundo se encontrou, eu ainda tenho alguma chance.
Enfim, a propaganda da Skol está muito certa por um lado: pagar mico faz parte da vida. Por outro, aliás, prefiro Brahma, Original, Bohemia... Então, “vamos beber porque a realidade ta dura demais para ficarmos sóbrios”.



